Carta Perdida 

Mãe! Ontem tive um sonho ruim. Nele  pessoas não quebravam espelhos às terças. Vi pacientes em greve dos hospitais; “deus” não era capitalista como o carteiro prega à noite, na padaria. Mãe, eu vi um mundo diferente, pude sentir que a hora havia chegado e precisava partir. Foi quando me dei conta de que já não era mais o mesmo.

Tenho medo!
Sou apenas um garoto em finda latência. O mundo parece tão diferente de antes, mas ontem, em minha última prece, lembrei de você. Seu rosto também não é como costumava ser. O que aconteceu com meu brinquedo favorito?

Por favor, não saia, não sem me dizer: palhaços sonham com balões coloridos, ou porcos podem voar?

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Registros de Helena (ou Ouvindo a Voz do Silêncio)

…e, então, o que dizer
de nosso próprio corpo?
Que, nem sob o desejo,
nós o governamos.

Não dizemos a este “faz!”
e ele faz de bom grado,
Mas se o faz, faz,
porque é obrigado.

Não dizemos a um fígado
“te regenera!”,
ou a um coração “bate!”,
pois nossa intenção
se faz confusa.

Mas há um jeito;
um artifício;
um modo de fazê-lo.
Ainda restam noventa
em sua cabeça.

Está tudo lá,
bem guardado,
todas as coisas,
entre as três torres:
a base no topo do saber.

Publicado do WordPress para Android enquanto “nômadeio” por aí.