Carta Perdida 

Mãe! Ontem tive um sonho ruim. Nele  pessoas não quebravam espelhos às terças. Vi pacientes em greve dos hospitais; “deus” não era capitalista como o carteiro prega à noite, na padaria. Mãe, eu vi um mundo diferente, pude sentir que a hora havia chegado e precisava partir. Foi quando me dei conta de que já não era mais o mesmo.

Tenho medo!
Sou apenas um garoto em finda latência. O mundo parece tão diferente de antes, mas ontem, em minha última prece, lembrei de você. Seu rosto também não é como costumava ser. O que aconteceu com meu brinquedo favorito?

Por favor, não saia, não sem me dizer: palhaços sonham com balões coloridos, ou porcos podem voar?