Carta Perdida 

Mãe! Ontem tive um sonho ruim. Nele  pessoas não quebravam espelhos às terças. Vi pacientes em greve dos hospitais; “deus” não era capitalista como o carteiro prega à noite, na padaria. Mãe, eu vi um mundo diferente, pude sentir que a hora havia chegado e precisava partir. Foi quando me dei conta de que já não era mais o mesmo.

Tenho medo!
Sou apenas um garoto em finda latência. O mundo parece tão diferente de antes, mas ontem, em minha última prece, lembrei de você. Seu rosto também não é como costumava ser. O que aconteceu com meu brinquedo favorito?

Por favor, não saia, não sem me dizer: palhaços sonham com balões coloridos, ou porcos podem voar?

A Tormenta de Gogol

E o que me diz?
Ir avante com teus planos?
Rasgar os sonhos que eu guardei?

Ficará satisfeita ao ver minha cabeça
por aí, bem vestida, como um publicano?

Fazendo o que eu não quero,
dizendo o que eu nunca disse?
Com seus próprios interesses,
ela não me ouve.
Nunca diz para onde vai.

Mas que loucura, você pode imaginar? Não, não pode.
Não faz sentido.
Não pode fazer.

Olha o mal que tu me causa, quando pede pra esquecer.

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